Sunday, 26 April 2015

Nascer em casa


O sociólogo e enfermeiro Mário Santos, publicou em 2012 um estudo inédito sobre o parto domiciliar em Portugal. Esta investigação teve como objectivo conhecer e analisar a experiencia da mulher e/ou casal que optou por um parto domiciliar, em particular compreender os factores que levaram à escolha desta opção, entre outros. (Faça o download do estudo aqui)


Deixo aqui apenas alguns dos resultados do estudo que me pareceram mais significativos:
  1. A escolaridade elevada e actividade profissional predominantemente autónoma dos casais em estudo que escolheram o parto domiciliar (reflectindo uma tendência e não uma característica nacional).
  2. A escolha do parto em casa para estes casais, resultou de uma rejeição do modelo hospitalar – isto é, a rejeição de um modelo de medicalização do parto onde reina o “controlo dos espaços, dos tempos, dos processos e dos participantes por parte dos profissionais do hospital”, a favor de um paradigma em que “o parto é propriedade da mulher, é uma experiencia sexual e empoderadora, onde as intervenções devem ser reduzidas ao mínimo, porque o corpo saberá o que fazer e a percepção e o controlo sobre o corpo são estruturais.”
  3. Neste contexto o ambiente proporcionado pelo hospital, é visto como “um ambiente de risco”, por constituir uma ameaça à perda do sentido pessoal. O modelo hospitalar “impõe como condição de acesso a adesão ao seu modelo de assistência e o compromisso de respeito por normas de comportamento, mesmo numa gravidez e num parto à partida sem problemas”. Assim sendo, “a percepção do risco do parto é maior no meio hospitalar do que em casa e isso despoleta, em última instância, a decisão pelo parto domiciliar.”
  4. “No conjunto, parece ser a apropriação da experiencia de parir, o controlo sobre o processo e a autodeterminação que definem a experiencia do parto em casa como uma boa experiencia.”

Acompanhamento hospitalar da grávida – Lei nº15/2014

A lei nº15/2014 vem clarificar os direitos relativamente ao acompanhamento hospitalar da mulher grávida durante o parto
 

Alguns dos pontos principais desta lei:
1. O direito à mulher grávida de acompanhamento durante todas as fases do trabalho de parto, por qualquer pessoa por si escolhida.
2. Este direito pode ser exercido independentemente do período do dia ou da noite em que o trabalho de parto ocorrer.
3. No entanto, esta lei prevê uma excepção para situações clínicas graves, caso o acompanhamento seja considerado desaconselhável pelo médico obstetra. Nestas situações a grávida e o acompanhante devem ser sempre correctamente informados das razões para tal pelo pessoal responsável.

É bom demonstrar que conhece a existência desta lei e o seu conteúdo, caso discorde do modo como esta está a ser aplicada. Se considera que no seu caso não foi aplicada correctamente deve fazer uma reclamação junto da instituição hospitalar. 

 
Como reclamar de Hospitais e Serviços de Saúde (ligação ao site da deco.proteste.pt)

Tuesday, 16 December 2014

O puerpério: um novo desafio ...

O pós-parto é muitas vezes mais desafiante que a gravidez e o  próprio parto. Os aspectos emocionais e a recuperação física são geralmente negligenciados e toda a atenção é posta no bebé ...

 puerperio_blog post header_Jenny Lewis

Um artigo muito honesto sobre este tema: AQUI!

Para saber um pouco mais sobre algumas das alterações físicas que a esperam no pós-parto: AQUI!

Thursday, 27 November 2014

Posições para o Parto


Um vídeo muito ilustrativo de como num ambiente hospitalar pode dar à luz em posições verticais e que promovem a mobilidade pélvica, evitando a posição horizontal desfavorável à progressão do parto.

Com especial agradecimento a Rituais Maternos que publicou este post (ver o post em Rituais Maternos).


Wednesday, 5 November 2014

Um bebé saudável é o mais importante, mas não é tudo...

Um bebé saudável é o mais importante, mas não é tudo o que importa!

A mãe também é importante: o seu estado emocional, o modo como foi tratada e respeitada.
Quando nasce um bebé, a mãe também 'renasce'. Se ela se sente destroçada, deprimida ou traumatizada, como é que isso afecta o bebé? Será isso saudável?

Um artigo (em inglês) muito bonito e verdadeiro da fundadora do movimento internacional 'The Positive Birth Movement'.

Walking epidural - a epidural que lhe permite mobilidade

Para as mulheres que decidiram já que querem uma epidural durante o parto ou para quem decidiu que não vai utilizar a epidural e durante o trabalho se sente necessitada a faze-lo, é importante saber que existe uma epidural de baixa dose que lhe permite manter a mobilidade.
É uma combinação de um narcótico com uma baixa dose de analgésico, que bloqueiam as sensações de dor no corpo, mas deixam as pernas menos dormentes que a epidural convencional, o que permite à mulher mexer-se, mudar de posição e por vezes até sair da cama e andar.
No entanto como têm que continuar ligadas ao soro e ao CTG, nem sempre é muito prático a mãe levantar-se. Mas com alguma assistência, a mãe poderá colocar-se em quatro apoios (de gatas), agachar-se ou até usar a bola de nascimento.
Uma vez que a posição vertical e o movimento ajudam a progressão do parto e podem reduzir a necessidade de um parto instrumentalizado, deve sempre, se for essa a sua vontade, perguntar antes de assinar o consentimento informado se poderá sair da cama, bem como incluir esta vontade no seu plano de parto.
A 'walking epidural' pode ter os mesmos efeitos secundários que a epidural normal, nomeadamente quebra na tensão arterial da mãe e alteração do ritmo cardíaco fetal (RCF).
Bibliografia:
The Doula Guide to Birth- Secrets every pregnant woman should know, Ananda Lowe & Rachel Zimmerman
O bê-a-bá da epidural, Revista 'Pais&Filhos'.
A BIONASCIMENTO têm traduzido e disponibilizado informação essencial para as mulheres poderem melhorar a sua capacidade de escolha, decisão e preparação activa e consciente para o nascimento. Aqui fica a tradução do que diz a Biblioteca Cochrane sobre esta prática da Obstetrícia: a administração de ocitocina artificial.